PF conduz força-tarefa que combate fraude ao sistema previdenciário no Maranhão

PF conduz força-tarefa que combate fraude ao sistema previdenciário no Maranhão

A Força-Tarefa Previdenciária no Estado do Maranhão deflagrou, nesta terça-feira (7/7), a Operação Fake Fisher, com a finalidade de reprimir crimes contra o sistema previdenciário praticados por associação criminosa. A ação foi conduzida pela Polícia Federal, com a participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP) do Ministério da Previdência Social (MPS).

Trata-se de desdobramento da Operação Fake ID, deflagrada em 2023, de acordo com os indícios de fraude no requerimento de Seguro Defeso, benefício destinado a pescadores artesanais profissionais durante o período de piracema.

A investigação identificou a atuação de um esquema criminoso integrado por um escritório de advocacia e por agenciadores/intermediários que seriam os responsáveis pela prospecção de beneficiários em massa com o objetivo de simular vínculos com a atividade pesqueira.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão por 18 policiais federais, nas residências e nos escritórios profissionais dos investigados, com a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na cidade de São Luís/MA.

De acordo com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), o prejuízo estimado com a concessão de 552 benefícios já identificados alcança aproximadamente R$ 3,7 milhões.

Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato maj

Gaguinho reforça apoio a Orleans Brandão em ato que reúne cerca de 10 mil pessoas no Itaqui-Bacanga

Gaguinho reforça apoio a Orleans Brandão em ato que reúne cerca de 10 mil pessoas no Itaqui-Bacanga


O pré-candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão, e o pré-candidato a vice-governador em sua chapa, Edivaldo Holanda Júnior, deram início a uma nova etapa da pré-campanha em São Luís.

A primeira agenda desse novo momento aconteceu em uma grande festa popular nesta segunda-feira (6), na área Itaqui-Bacanga, onde eles foram calorosamente recebidos por cerca de 10 mil moradores e lideranças comunitárias dos mais de 50 bairros que compõem a região. 

O vereador Édson Gaguinho também esteve acompanhado do pré-candidato a deputado estadual Rui Jorge e do pré-candidato a deputado federal Vinicius Vale, nomes que integram seu grupo político. Gaguinho destacou a importância da união em torno do projeto liderado por Orleans Brandão.

“Estamos construindo um projeto forte para o Maranhão, reunindo lideranças comprometidas com o desenvolvimento do nosso estado. Ao lado de Orleans Brandão, Edivaldo Holanda Júnior, Rui Jorge e Vinicius Vale, seguimos ouvindo a população e fortalecendo esse grupo que trabalha por mais oportunidades e qualidade de vida para os maranhenses”, afirmou o vereador.

A partir de agora, Orleans e Edivaldo percorrerão juntos todas as regiões da Ilha e do Maranhão, dialogando com a população e ouvindo as principais demandas de cada comunidade para subsidiar a construção do plano de governo.

No ato, que contou também com a presença do governador Carlos Brandão, Orleans iniciou seu pronunciamento agradecendo ao ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior por ter aceitado integrar o projeto político ao seu lado. Ele destacou a trajetória administrativa de Edivaldo à frente da Prefeitura de São Luís e afirmou que o reconhecimento que ele usufrui hoje da população é reflexo do grande trabalho realizado durante sua gestão, principalmente nos bairros da periferia, onde tem grandes feitos.

Edivaldo lembrou das transformações que proporcionou à área quando esteve à frente  da Prefeitura de São Luís e afirmou que agora o sentimento é de abandono.

Justiça condena farmácia em São Luís por falhas de acessibilidade

Justiça condena farmácia em São Luís por falhas de acessibilidade

A Justiça condenou a Pague Menos a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos devido a falhas de acessibilidade em uma unidade localizada na Avenida Daniel de La Touche, no bairro Cohama, em São Luís. A decisão foi tomada após uma ação popular que apontou barreiras arquitetônicas no local.

A ação foi apresentada por um cidadão, que afirmou que as irregularidades dificultavam a circulação de pedestres, principalmente idosos e pessoas com deficiência. Além disso, segundo o processo, as condições da calçada obrigavam usuários a dividir espaço com veículos na via pública.

Durante o processo, a empresa reconheceu problemas identificados em fiscalização municipal. Então, informou que realizou adequações estruturais em fevereiro de 2026. As obras incluíram substituição do piso, instalação de piso tátil direcional e de alerta, além da demarcação de vagas para pessoas com deficiência e idosos.

Mesmo com as melhorias, o juiz Douglas Martins entendeu que a unidade permaneceu durante anos em desacordo com as normas de acessibilidade desde o ajuizamento da ação, em 2021. Por isso, considerou que houve violação de direitos coletivos ligados à mobilidade urbana e à segurança.

A sentença determinou o pagamento da indenização ao Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos (FEPDD). O magistrado encerrou a obrigação de fazer porque a empresa corrigiu as irregularidades, mas manteve a condenação financeira pelo período em que as falhas permaneceram.

Roberto Costa leva loteadoras à Justiça por irregularidades

Roberto Costa leva loteadoras à Justiça por irregularidades

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, anunciou nesta quarta (1º) medidas judiciais e administrativas contra as empresas responsáveis pelos loteamentos Green Park, Cidade Jardins e Ecoville. Segundo a prefeitura, as empresas não cumpriram obrigações previstas nos contratos, como pavimentação de ruas, drenagem e abastecimento de água.

Durante entrevista coletiva, o prefeito informou que o município obteve decisões liminares que determinam o cumprimento das obras pelas empresas. As medidas foram adotadas após reclamações e protestos de moradores que alegam problemas de infraestrutura nos empreendimentos.

Roberto Costa afirmou que a responsabilidade pela implantação da infraestrutura básica é das loteadoras, conforme a legislação e os contratos firmados com os compradores. Segundo ele, cabe às empresas executar redes de água, esgoto, drenagem e pavimentação.

“A população que termina sofrendo não tem culpa com isso porque ela também foi enganada nesse processo, né? E isso é natural que realmente parta uma reivindicação dela para que ela possa ter também o benefício”, afirmou o prefeito.

De acordo com a prefeitura, relatórios da Secretaria de Obras e da Procuradoria-Geral do Município embasaram as ações judiciais. O juiz Raphael Amorim concedeu liminares que estabelecem prazos para que as empresas Lastro e Raposo Construções iniciem as intervenções.

Sobre a primeira etapa do Green Park, Roberto Costa disse que a entrega realizada em gestões anteriores não foi acompanhada de fiscalização técnica.

“A entrega que foi feita, que foi comprovada, foi uma folha de papel. O setor técnico nosso, inclusive da engenharia, foi fazer toda essa fiscalização, todo esse levantamento, e comprovou-se que o que era oferecido dentro desse contrato com os moradores não foi cumprido”, declarou.

Segundo a decisão judicial, a empresa terá 15 dias para iniciar a recuperação emergencial das ruas e 30 dias para apresentar o projeto completo de drenagem.

O prefeito também informou que a comercialização da quarta etapa do Green Park foi interrompida. Conforme a prefeitura, o empreendimento ainda não possuía autorização da Secretaria de Obras.

“É necessário que eles apresentem também todo um planejamento, um projeto estruturante, não apenas da parte dos lotes, mas também da estrutura dessa localidade, porque futuramente as pessoas vão construir suas casas e poderá ocorrer a mesma situação que tem ocorrido hoje”, disse.

Em relação ao Ecoville, a prefeitura informou que acompanha a falta de abastecimento de água causada por problemas no poço administrado pela empresa responsável. A situação levou moradores a protestarem na entrada do loteamento.

Roberto Costa afirmou que o município enviou caminhões-pipa para atender os moradores, embora sustente que o abastecimento seja responsabilidade da empresa.

“Independente, mesmo essa situação não sendo uma responsabilidade direta da prefeitura, mas quando existe, e eu digo isso, quando existe o sofrimento de qualquer parte da nossa população, mesmo não sendo a responsabilidade de uma área nossa, nós faremos as nossas intervenções para ajudar a população”, afirmou.

O prefeito também atribuiu a existência de loteamentos com problemas estruturais à falta de fiscalização em administrações anteriores. Segundo ele, a gestão intensificou embargos e notificações contra empreendimentos irregulares e deixou de receber loteamentos que, de acordo com o município, não atendiam às exigências de infraestrutura.

“Nós não queremos atrapalhar o empreendimento de absolutamente de ninguém, mas nós não podemos admitir é que empreendimentos que iniciam, eles possam ser feitos da forma que vinha sendo feito, porque terminava lesando a nossa população. E isso nós não vamos permitir”, concluiu.

Melô de J Pinto é um mais ouvidos do mês nas plataformas de vídeo em São Luís

Melô de J Pinto é um mais ouvidos do mês nas plataformas de vídeo em São Luís

Um vídeo do “Melô de J Pinto” está fazendo sucesso na internet. A gravação, publicada no YouTube no começo de junho, já teve quase 5 mil visualizações até esta quarta-feira, 1º de julho, Dia Internacional do Reggae. O número, contudo, pode ser bem maior, pois não existe um total oficial de visualizações consolidado nas plataformas.

No YouTube, as visualizações estão divididas entre os canais de DJs locais, equipes de aparelhagem e canais de colecionadores de reggae roots. Os números variam de algumas dezenas de milhares a vídeos menores com poucas centenas de acessos.

No Instagram e no TikTok, os vídeos têm mostrado uma grande movimentação. Os Reels da “pedra”, compartilhados por páginas de reggae no Maranhão, geralmente acumulam entre 5 mil e 50 mil visualizações por postagem.

Ao analisar o total de reproduções em todas as plataformas, com base em dados fornecidos pelo Gemini – assistente de IA do Google, verificamos que, das mais de 50 mil execuções do sucesso nas últimas quatro semanas do mês passado, quase 20 mil visualizações são de São Luís.

O hit, fruto da parceria entre a Estrela do Som e o DJ Mister Roots, destaca-se pelas vozes e harmonia vocal de Dub Brown e Mirian Black.

Nas eleições deste ano, Jota Pinto vai concorrer pelo coletivo ‘Com Você’, que pode ser o primeiro mandato coletivo na história da Assembleia Legislativa do Maranhão em 2026. Além dele, o grupo conta com a vereadora Concita Pinto; a primeira-dama de Alcântara, Branca Diniz; e o ex-presidente da Maranhão Parcerias (Mapa), Cassiano Pereira Junior.

No mês passado, o coletivo atraiu o apoio de famosas radiolas de São Luís, como a Estrela do Som, o que levou na produção de um dos “melôs” mais tocados em festas e compartilhados em redes sociais.

Operação combate roubo e revenda de motos no PI e MA

Operação combate roubo e revenda de motos no PI e MA

Uma operação deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) desarticulou, na manhã desta quinta-feira (2), um grupo criminoso suspeito de atuar em um esquema de roubo, furto, adulteração e comercialização ilegal de motocicletas. A Operação Cheval foi realizada simultaneamente em Teresina e Monsenhor Gil, no Piauí, além dos municípios de Caxias e Timon, no Maranhão.

Até o momento, 16 pessoas foram presas durante a ofensiva policial. Além das prisões, motocicletas e aparelhos celulares foram apreendidos e devem auxiliar no avanço das investigações.

Operação cumpre 19 mandados

De acordo com o Departamento de Roubo e Furto de Veículos (DRFV), a Operação Cheval cumpre, ao todo, 19 mandados judiciais contra investigados por participação na organização criminosa.

Segundo as investigações, o grupo agia de forma organizada e possuía uma estrutura bem definida para cada etapa do esquema criminoso, desde o roubo dos veículos até a revenda em outros municípios.

Esquema removia rastreadores e adulterava motocicletas

O delegado Marcelo Dias, do DRFV, explicou que a quadrilha roubava e furtava motocicletas no Piauí e, logo após os crimes, retirava os rastreadores via GPS para dificultar a localização dos veículos.

Na sequência, os suspeitos adulteravam placas e outros sinais identificadores, como o chassi, para esconder a origem das motocicletas. Depois das modificações, os veículos eram comercializados principalmente nas cidades de Caxias e Timon, no Maranhão.

Segundo o delegado, cada integrante desempenhava uma função específica dentro da organização criminosa.

“Havia pessoas responsáveis pelos assaltos, que entregavam as motocicletas aos receptadores. Em seguida, os veículos eram encaminhados aos adulteradores, que modificavam chassi e placas. Depois, eram repassados para outros receptadores em diferentes cidades, principalmente em Caxias e Timon, no Maranhão”, detalhou Marcelo Dias.

Investigações continuam

Apesar das prisões realizadas nesta quinta-feira, a Polícia Civil informou que as investigações continuam. A expectativa é identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação da organização criminosa e a possível participação de novos integrantes no esquema.

A Operação Cheval contou com a participação de equipes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), da 1ª Delegacia Seccional, da Polícia Militar do Piauí, da Polícia Civil do Maranhão.

A pedido do MP, Calvet Filho é condenado por racismo religioso e fica inelegível

A pedido do MP, Calvet Filho é condenado por racismo religioso e fica inelegível

 

Justiça considerou que as declarações configuraram discriminação racial e religiosa

O ex-prefeito de Rosário (MA), Calvet Filho (Republicanos), foi condenado após afirmar que a cidade havia sido consagrada a “Satanás”. Ele fez essa declaração em um vídeo com declarações consideradas intolerantes contra o atual prefeito, Jonas Magno (PDT), durante a solenidade de posse com a participação de Zé Ribeiro, líder do tradicional Tambor de Crioula do povoado de Miranda, localizado na mesma cidade.

A Justiça maranhense concluiu que as manifestações constituíram discriminação racial e religiosa, estabelecendo uma pena de 6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão em regime inicial semiaberto. Além disso, foi determinado o pagamento de uma multa referente a 120 dias, calculada com base em um trigésimo do salário mínimo diário.

Segundo a denúncia do MP/MA, o caso ocorreu em janeiro de 2025 ocasião em que o ex-prefeito rosariense utilizou um tom agressivo para acusar o sucessor de envolvimento com práticas religiosas afro-brasileiras, afirmando que a faixa de prefeito foi entregue por um “macumbeiro, umbandista”.

Indenização individual e coletiva

Na sentença, foi decidido que a pena não seria substituída por medidas restritivas de direitos. Na esfera cível, foi estabelecida uma indenização de R$ 10 mil por danos morais individuais para a vítima e R$ 10 mil por danos morais coletivos.

Suspensão dos direitos políticos

Outro efeito previsto na decisão é a suspensão dos direitos políticos, de acordo com as disposições legais aplicáveis. A medida, por exemplo, impede a possibilidade de Calvet Filho disputar qualquer cargo eletivo nas eleições deste ano.

Coleção de condenação

A condenação se junta a outras controvérsias relacionadas ao ex-prefeito, cujo nome já havia sido vinculado ao conhecido “caso da rachadinha”, um episódio que também recebeu ampla atenção pública.

Dudu Diniz participa de adesivaço em apoio a Orleans Brandão em São José de Ribamar

Dudu Diniz participa de adesivaço em apoio a Orleans Brandão em São José de Ribamar


No último sábado (27), São José de Ribamar foi palco de um grande adesivaço em apoio ao pré- candidato ao governo, Orleans Brandão, que vem conquistando o carinho da população local.

“Hoje foi dia de adesivaço na nossa querida cidade, em apoio ao nosso futuro governador, Orleans Brandão. Foi emocionante ver tantas pessoas parando para mostrar seu apoio. O trabalho não para. Vamos vencer! Agradeço a presença da minha amiga Audreia Noleto”, declarou Dudu Diniz.

Ele enfatizou a relevância da mobilização e a união da comunidade em prol de um objetivo comum. “Cada adesivo que colamos simboliza não apenas apoio, mas também a esperança de que o trabalho do nosso governador Carlos Brandão continue. Orleans Brandão possui um projeto forte e comprometido com o nosso povo”, disse ele, empolgado com a receptividade dos cidadãos.

O evento reuniu diversas lideranças locais e apoiadores que se uniram para manifestar seu apoio a Orleans. “A energia aqui é contagiante! Estamos todos juntos por um futuro mais promissor e justo para todos os moradores de São José de Ribamar”, finalizou Dudu.

Gabriel Rabelo emociona ao cantar com a mãe em sua terra natal durante o São João na Bahia

Gabriel Rabelo emociona ao cantar com a mãe em sua terra natal durante o São João na Bahia


Na noite de São João, celebrada em 24 de junho, o cantor baiano Gabriel Rabelo viveu um dos momentos mais marcantes de sua carreira ao subir ao palco em sua terra natal, a cidade de São Sebastião do Passé. Em uma apresentação repleta de emoção, o artista teve a oportunidade de cantar ao lado de sua mãe, tornando a noite ainda mais especial para familiares, amigos e fãs presentes.

O município realizou uma extensa programação junina entre os dias 19 e 24 de junho, reunindo grandes atrações musicais e movimentando a cidade durante os festejos. O artista é mais um sucesso do empresário Luís Gustavo de Oliveira Melo.

A oportunidade foi possível graças ao cantor Raí Saia Rodada, empresário de Gabriel Rabelo e conhecido nos bastidores da música como o “tratozão da música”. O artista tem apostado no talento do jovem cantor, abrindo portas e fortalecendo sua trajetória no cenário musical nacional.

Emocionado, Gabriel celebrou o momento de cantar para o seu povo, reforçando suas raízes e demonstrando gratidão pela oportunidade de se apresentar em casa durante uma das festas mais tradicionais do Nordeste. Para o cantor, dividir o palco com a mãe em pleno São João ficará eternizado em sua história.

Maranhão entra para a história com a inauguração da primeira Sala do Empreendedor Quilombola do Brasil

Maranhão entra para a história com a inauguração da primeira Sala do Empreendedor Quilombola do Brasil

“Antes, os pretos de Frechal eram proibidos de entrar neste casarão. Hoje, estamos recebendo aqui um espaço para incentivar o empreendedorismo e criar oportunidades para o nosso povo.” O desabafo emocionado de Benedito de Ribamar, vice-presidente da Associação de Moradores do Quilombo Frechal, em Mirinzal (MA), traduz o peso histórico de uma inauguração que promete mudar o rumo das comunidades tradicionais no Brasil. O antigo casarão, que no passado representava a opressão dos barões de terra contra os escravizados, agora abriga a primeira Sala do Empreendedor Quilombola do país.

A iniciativa inédita, liderada pelo Sebrae Maranhão em parceria com a Prefeitura de Mirinzal e o Governo do Estado, insere o atendimento técnico e especializado para afroempreendedores diretamente no coração de um dos territórios de resistência mais emblemáticos do Brasil.

A escolha de Frechal para sediar o projeto piloto nacional carrega forte simbolismo. O território, que conquistou sua titulação coletiva em 1992 após décadas de conflitos e mobilização comunitária, agora se torna o epicentro de um modelo de inclusão produtiva. A nova estrutura vai oferecer serviços que vão desde a formalização de Microempreendedores Individuais (MEIs) até consultorias financeiras, orientação para crédito e capacitação em economia criativa.

Para os moradores, a chegada do projeto representa tanto uma reparação histórica quanto uma janela para o futuro. Aos olhos da anciã Maria do Socorro Silva Mondego, que nasceu e cresceu na comunidade, a mudança é a resposta para uma espera de gerações. “Acredito que isso vai mudar muitas coisas porque é o que a gente aguarda há muito tempo. Vejo uma grande oportunidade para os jovens”, celebra.

O impacto prático já reverbera entre os produtores locais. A artesã Fabiana Carneiro, que desenvolve biojoias e cosméticos com matéria-prima da região, planeja expandir sua atuação com o suporte técnico. “Aqui temos artesanato forte e agricultura familiar. Meu sonho é abrir uma pequena empresa voltada para esses produtos da nossa biodiversidade, e agora vejo que esse sonho pode ser real”, projeta.

O sentimento é compartilhado pela agente de desenvolvimento local, Josilene de Jesus Silva, que destaca a elevação da autoestima comunitária: “Pensávamos que o empreendedorismo jamais chegaria ao quilombo dessa forma”.

Impacto regional

O modelo implementado pretende servir de vitrine para outras regiões. Somente no município de Mirinzal existem 17 comunidades quilombolas registradas que poderão se beneficiar do polo de atendimento.

Para dar suporte a essa demanda, a estrutura vai atuar diretamente no incentivo ao cooperativismo, na inclusão digital dos produtores e no fomento ao turismo de base comunitária, permitindo que os moradores gerem receita sem abrir mão de suas tradições.

De acordo com o diretor superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, o foco é transformar a ancestralidade e a cultura em ativos econômicos sustentáveis. “Precisamos apoiar essa comunidade para que enxergue oportunidades no turismo, no artesanato e na cultura, melhorando a qualidade de vida das famílias por meio de negócios próprios”, pontua.

O prefeito de Mirinzal, Deyvison Ribeiro Soares, acrescenta que o projeto estabelece um divisor de águas para a economia do Litoral Ocidental maranhense.

“A Sala do Empreendedor já é uma ferramenta importante para o desenvolvimento dos negócios. A Sala do Empreendedor Quilombola carrega uma proposta ainda maior. Receber a primeira do Brasil em nosso município é motivo de orgulho. Acreditamos que haverá um antes e um depois dessa iniciativa para os empreendedores quilombolas”, declarou.

Segundo a gerente da Unidade de Negócios do Sebrae em Pinheiro, Rosa Amélia, a inauguração representa um novo capítulo na trajetória da comunidade.

“Estamos completando hoje um capítulo na história do Quilombo Frechal. Ressignificamos um ambiente que antes simbolizava a opressão vivida pelos ancestrais e que agora se transforma em uma porta de entrada para grandes oportunidades. Isso nos deixa extremamente orgulhosos enquanto Sebrae”, destacou.

Parceria que gera resultados

A consolidação do espaço resulta de uma articulação que envolve a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp), a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), a Agência de Desenvolvimento da Região do Litoral Ocidental Maranhense (Adere) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Entre apresentações culturais, relatos emocionados e momentos de celebração, a inauguração marcou não apenas a entrega de um equipamento de apoio aos negócios, mas o reconhecimento de uma trajetória de resistência que transforma cultura, território e ancestralidade em oportunidades de futuro.

Ao unir forças institucionais sob o teto de um antigo símbolo colonial, o projeto planta no Maranhão um novo marco para as políticas de desenvolvimento territorial e igualdade racial no Brasil.